18 janeiro 2008
O desespero
O desespero funciona como uma campainha de alarme que não podemos deixar tocar incessantemente. Corremos o risco de ensurdecer e não conseguir entender os sinais que nos podem libertar dele que estão á nossa volta.
Não há pai nenhum que não tenha entrado em desespero em alguma parte da sua vida. Maior ou menor. Por mais ou menos tempo. Aconteceu. Vai acontecer.
É sinal que deve parar, escutar-se, olhar á sua volta. Procurar ajuda. Não faz mal procurar ajuda.
Não faz mal não ter todas as respostas.
Quando se é pai não se recebe automáticamente um pacote de todo o saber. A capacidade de enfrentar todas as coisas. Não se passa a ser um ente superior.
Tudo duplica e muitas vezes os sonhos que tinhamos projectados caem por terra sem razão.
E o que se pensava que ao amar se resolvia deixa de ser tão óbvio.
Não há respostas para tanta pergunta que parece não deixar de aparecer.
Mas é perguntando, conversando com quem viveu e vive o desespero. Comparando, vivendo, que se ultrapassa ou minimiza um estado assim.
Para bem de todos.
12 setembro 2007
Sobre o Autismo- outros blogues
Esta é de alguma forma curiosa.
Convidam-nos a fazer um teste.
Comportarmo-nos-emos nós de forma autista?
Seremos nós autistas?
Convido a leitura dos comentários. Convido-o á reflexão.
Faça o teste. Perceberá através das perguntas como se observam comportamentos autistas.
Que não significam nunca que seja portador desta perturbação. Significa tão só, que em alguns momentos da sua vida ou por formação pessoal adoptou comportamentos que lhe permitiram agir perante o mundo e a vida. Todos o fazemos de forma diferente.
Da melhor maneira possivel.
ver aqui
12 agosto 2007
Snow Cake
“Não sou doida por blockbusters. Pelo contrário. Já descobri há muito que às vezes se encontram verdadeiros tesouros entre aquilo que não é tão consumido. Snow Cake é um desses tesouros. Autêntica pérola sobre o autismo (de que eu sabia quase nada) e sobre a natureza humana.Trata-se de uma história relativamente simples. Do poder das amizades inesperadas, de mundos ditos incomunicáveis que afinal se tocam, de pessoas que descobrem em si uma força que desconheciam, de demónios interiores que se exorcizam. De diferenças e semelhanças. No fundo, trata de cada um de nós.
Uma das três personagens principais do filme é um forasteiro, Alex Hughes (o grande Alan Rickman, que não deveria ser só recordado pelo papel em Harry Potter!) que, relutantemente, aceita dar boleia à jovem alegre e descontraída Vivienne Freeman (Emily Hampshire) até à sua casa em Wawa. Aspirante a escritora, Vivienne aproxima-se de Alex com a crença de que, já que ele parece tão solitário, deve ter uma boa história de vida para contar. Mas, tragicamente, ela não chegará a casa. O carro onde seguem tem um acidente, do qual Alex escapa ileso e Vivienne tem morte instantânea. O resto da história passa-se em Wawa, com Alex a tentar redimir-se de uma culpa que lhe pesa, ajudando a mãe autista de Vivienne, Linda, a preparar o funeral. De facto, a personagem chave desta história é, inquestionavelmente, Linda.
Linda Freeman (Sigourney Weaver) vive num mundo diferente do nosso, um mundo estranho e obsessivamente organizado. Ela não é louca nem anormal. É tão-somente diferente e, por isso, especial. Tem autismo. É fascinada por coisas que brilham, consegue combinar números com extraordinária rapidez e habita um universo de extrema precisão que não permite infacções ou sujidade. Contudo, tem uma enorme falta de empatia pelas pessoas ditas normais, que, no fundo, só a querem ajudar. Aliás, a sua primeira cena é deveras constrangedora e pode até parecer fria e despreocupada porque, nessa altura, o público ainda não tem a informação de que ela é autista. Como reagiriam se, na posição de Alex, fossem dar os pêsames à mãe da pessoa que levavam convosco no carro e ela se limitasse a dizer, sem denotar qualquer emoção pela morte da filha há duas horas atrás, qualquer coisa do género: "Ah, está bem, não faz mal"?
Mais tarde, percebemos que ela é mesmo assim e que tais atitudes não representam de modo nenhum uma ausência de emocionalidade mas antes uma forma diferente de experienciar os sentimentos (veja-se a sua cena de dança no dia do funeral). De facto, uma das coisas que torna o desempenho de Weaver memorável é o facto dela levar à personagem de Linda uma veracidade tal, que devia até ser premiada por isso. Uma Weaver como nunca antes vista! A sua actuação não está muito distante do Rain Man de Hoffman, digo eu. Além disto, a sua personagem parece carregar em si tanta lógica que, somos nós, tal como Alex, quem se começa a sentir um pouco burro e a questionar as coisas sem sentido que fazemos. Afinal, porque é que não podemos sentir a mesma alegria que, quando crianças, tínhamos ao brincar na neve? Porque é que é inapropriado fazer palhaçadas num trampolim? Porque é que lutamos tanto para apagar certas lembranças e esconder certos passados?
Um destaque especial ainda para a personagem de Maggie (Carrie-Anne Moss), a vizinha de Linda que vai ajudar Alex a encontrar-se a si mesmo. Carrie aparece magnífica, lindíssima e com uma sensualidade que não lhe conhecia. Acho que, de tantos Matrix's, a minha percepção desta actriz foi influenciada. Mas, ainda bem que entra neste filme!
Na minha opinião, o filme mostra também Rickman no seu melhor. O seu humor sarcástico, ao contrário da comédia física, aproxima-se mais da vida real, repleta de ironias. E, não sendo propriamente um filme para rir, existem ao londo do filme falas deveras engraçadas como quando Linda compara comer neve a ter um orgasmo ou quando Maggie pede para dispensarem o jantar porque ela não gosta de ter sexo de barriga cheia.
Como já referi Snow Cake é um filme muito pessoal e não um blockbuster. No entanto, são poucos os filmes que, tal como este, conseguem enriquecer o modo como nos vemos a nós próprios e o modo como lidamos com a diferença. Recomendo vivamente.”
Texto retirado do Blogue Estrela do Mar em
Descobri em viagem pelos blogues na net este filme comentado.No blogue Estrela do Mar. Não resisti a pô-lo aqui neste espaço.Os comentários referem-se ás interpretações. A nós importam-nos outras formas de actuações. Fiquemos com o que de melhor e de útil nos possa trazer. Clique aqui,Clique aqui,foi de onde o tirei. Obrigada á Marisa por tè-lo escrito.
10 agosto 2007
Autismo - uma abordagem geral
Série- Discapacidades Humanas
Apesar de falado em espanhol não me parece necessário fazer uma síntese do que é abordado por me parecer bastante compreensivel e simples a forma como está apresentada a temática. No entanto, e caso surjam algumas dúvidas, estarei aberta a sugestões. Como sempre, ao dispor.
01 agosto 2007
O Abcedário
A "Rua Sésamo" trouxe-nos de forma divertida as coisas que a Escola também nos ensinava. Fica aqui de vez em quando um espaço para os visitantes mais novos. Para os mais velhos a memória do que se aprendeu com um sorriso nos lábios. Como sabe bem aprender.
27 julho 2007
Mentir
Mais á frente , na página 32 o personagem refere " uma mentira é quando dizemos que aconteceu uma coisa que não aconteceu. Mas existe apenas uma coisa que aconteceu num determinado momento e num determinado lugar. E existe um número infinito de coisas que não aconteceram nesse momento e nesse lugar. E se eu penso em alguma coisa que não aconteceu, começo a pensar sobre todas as outras coisas que não aconteceram ... isto fa-me sentir trémulo e assustado..." Isto revela-nos a insegurança que se pode sentir ao sair-se do que ele pode ver e viver. Do seu mundo real e perceptível. Não se espere dum jovem autista um relato que não corresponda á sua realidade. Voltarei a mais leituras do "Estranho caso do cão morto"
23 julho 2007
O Programa Son Rise
Esta é mais uma história em que pais tentam novas abordagens ao mundo estranho e fechado do filho autista. É a história de Jade A filhota do papá que se recusa a olhá-lo e a responder quando a chamam. Apática refugia-se no seu mundo ode permanece enrolando objectos ou desenhando sem parar.
Os pais seguindo o exemplo do que se passa no filme "Son Rise", já aqui documentado, decidem pedir a ajuda a um grupo de voluntários para durante um período de 14 horas semanais estarem com a sua filha. Nesse período farão com ela tudo o que ela faz. Imitá-la-ão constantemente. Suportarão dias e dias de choro consecutivo. Procurarão construir a ponte que os levará a ela.
Um dia a porta abre-se. A aprendizagem começa.
Jade começa finalmente a olhar nos olhos dos outros, a relacionar as coisas e finalmente interage, imitando o outro e mostrando a sua personalidade.
Uma forma, uma experiência. uma história.